Distanciei-me um pouco da multidão.Senti aquela estranha sensação de estar faltando algo ao meu redor e comecei a tatear em mim mesmo, o corpo que eu estava a recordar,vivendo, naquele instante,o sentido de uma nova vida. Sem querer,me vi só e os que estavam me rodeando,haviam desaparecido como levados por um encanto.
Diz um escritor que o único amor possivel é o amor de nós mesmos;mas, eu discordo dele profundamente.Encontrei na medida que me afastei da multidão,um amor diferente,cheio daquele silêncio que é uma verdadeira música, e que a gente sente dominar um pouco, à medida que compreendemos a razão de sua existência.
Hoje, uma sexta-feira,sinto que é verdade pura o que pensei vencer em matéria de amor é sofrer;na terra, ele nasce,mas floresce no Céu.Aliás,não são olhos do amor satisfeito que fazem formosas as mulheres;mas a vista da cobiça que já não pode confiar,quando perdem tudo. Sim, naquela multidão a mais um na construção desse encontro que faço com ela, a sós,numa confissão sublime e eterna,cheia de cantares,que quebra um outro silêncio macabro.
Desafiando o eterno,eis o que imploro aos que, como eu, amam sem paradoxar seus pensamentos. O amor é um sentimento integrado do ser, no seu destino.Uma verdadeira agonia de prazeres, um dia comumque a gente encontra no domingo,ou como agora,uma sexta-feira que a gente encontra em qualquer dia tão cheio de sol.