quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PARADIGMA DA SEXTA

               Distanciei-me um pouco da multidão.Senti aquela estranha sensação de estar faltando algo ao meu redor e comecei a tatear em mim mesmo, o corpo que eu estava a recordar,vivendo, naquele instante,o sentido de uma nova vida. Sem querer,me vi só e os que estavam me rodeando,haviam desaparecido como levados por um encanto.
                Diz um escritor que o único amor possivel é o amor de nós mesmos;mas, eu discordo dele profundamente.Encontrei na medida que me afastei da multidão,um amor diferente,cheio daquele silêncio que é uma verdadeira música, e que a gente sente dominar um pouco, à medida que compreendemos a razão de sua existência.
                  Hoje, uma sexta-feira,sinto que é verdade pura o que pensei vencer em matéria de amor é sofrer;na terra, ele nasce,mas floresce no Céu.Aliás,não são olhos do amor satisfeito que fazem formosas as mulheres;mas a vista da cobiça que já não pode confiar,quando perdem tudo. Sim, naquela multidão a mais um na construção desse encontro que faço com ela, a sós,numa confissão sublime e eterna,cheia de cantares,que quebra um outro silêncio macabro.
                    Desafiando o eterno,eis o que imploro aos que, como eu, amam sem paradoxar seus pensamentos. O amor é um sentimento integrado do ser, no seu destino.Uma verdadeira agonia de prazeres, um dia comumque a gente encontra no domingo,ou como agora,uma sexta-feira que a gente encontra em qualquer dia tão cheio de sol.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

POEMA PARA ELA

          Doce ferida que me esmaga...
           Abraço a sala obscura do tempo e esvaio-me em solidão.
           Risos de outrora,onde estão?
           Musa,mulher,caminho encontrado na ânsia de viajar pelas noites vazias.Noites malditas que foram para mim.
           Atrás de minhas costas,ruge a noite. Diante de mim, canta o dia.Entre os dois, nós.Sim, nós que nos amamos e sempre soubemos amar. Nós que escrevíamos versos apaixonados e hoje nos encontramos escrevendo crônicas em forma de poema para que o deleite das palavras seja o mais belo perfume da vida.
            Doce ferida me esmaga,como se fosse um Pierrô em busca de sua Colombina.Não, nunca fui Arlequim. Sempre fui Pierrô.E, ela,Colombina dos meus dias de carnaval. Carnaval que compõe esta vida toda feita em amor. E,numa tristeza sem fim,abraço o papel e escrevo os versos mais perfeitos para ela, Trago meu cigarro e ela me envolve em seus braços. Amo-a.Verdes olhos vadios de minha musa ideal...Oh,como seriam feitos os dias de ilusão que nunca tivemos?
             Canto,poesia, canto mais forte ainda, para que todos ouçam e saibam que no seio da terra,um homem vive a amar. Canto para que todos conheçam a perfeita lembrança da vida e continuem andando porta em porta,na inveja de ser. Minha voz adormece em seus braços. Suas mãos me envolvem e eu caminho pelos corredores da vida.Pierrô apaixonado.Colombina que me ama.
              Aos poucos, no meio deste carnaval da vida,retiramos nossas máscaras.E, ela me encontra como sou. E eu a encontro como ela é,sempre feliz,pronta a me dizer as coisas mais simples e verdadeiras de uma vida. Amamos um ao outro.Nós nos amamos.
              Doce ferida que me esmaga,arranco-a agora.Colombina chegou.Lágrimas de outrora,onde estão? Ouço apenas os risos que me acompanham e dizem-me baixinho: Colombina chegou coberta de amor!
              Doce afago da mamória...como a amo.Como nos amamos...tudo em um nunca mais.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SÓ TU

                           Todas as mulheres que passaram ao meu lado me pareceram flores de trapos,bonecas para um brinquedo, todas figuravam em um tabuleiro que se moviam aos caprichos dos homens...
                            Só TU com a flor rara de tuas virtudes de pedras lograstes matar o meu ceticismo, acendendo com luzes uma primavera em minha rota e, arrancando espinhos de meus pés feridos nesta estrada inclemente de sol...
                              Só TU, me pareces ingênua e virgem como uma camponesa...
                              Nada mais que TU, astro iluminado na metade de meu Céu enegrecido de pesar!
                               TU Amanhã...
                               TU hoje...
                                TU sempre!!!!!!!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O ENCONTRO

           Quando a vi pela primeira vez
,havia em mim mesmo o sentimento de um homem vazio,oerdido na imensidão doi espaço.Vi-a como se estivesse a contemplar um pássaro perdido de seu ambiente,flutuando pelo espaço afora,em busca de guarida.
             Quando a vi pela primeira vez, você estava vestida da mais fina púrpura ,criada pelo pintor mais famoso do mundo.E sob ela,jazia aquela alma simpática que me fez sorrir ao desconhecido.
               E nós sorrimos um para o outro.Gesticulamos e os olhares se fizeram cortados, como que punhais e penetrarem numa carne vadia e malsã.
                Verdadeiramente,aquele encontro nos fez ver que havia muito mais entre nós dois,do que o simples espaço.Havia o encontro casual que duas almas planejam e os dois corpos o fazem sensualmente,como se nada tivesse concorrido para tal.Havia, sobretudo, o momento idôneo de uma liberdade criada por nós mesmos,dentro de um pensamento puro.
                  Por que seria que não haveríamos,de por um novo sol dentro daquele mundo?Por quê?
                   Encontram-se as borboletas no ar,as abelhas, as flores,o próprio mar se encontra através de suas ondas com as areias virgem da praia.Nós nos encontramos. Eu,mar rude e feroz,faminto,sedento.Você, aquela branca e suave areia que ficou banhada loucamente pelas espumas cintilantes de mim mesmo. E depois, depois, foi apenas o que os pensamentos podem confessar.
                     Encontramos um no outro,a paixão,o amor,a verdade.Daí por diante,nunca mais nos separmos. E, daquele encontro,nasceu o amor que hoje relembro e confesso existir no sentimento dos dias,a perpetuidade daquele momento angelical

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ELA E O VINHO

               Mesmo que bebamos no pior cálice, ainda continuamos a gostar da bebida;e assim,por analogia, vamos encontrando também os prazeres e desgostos da vida que o dia a dia nos traz,arremessando algumas vezes,uma certa orgia contra a nossa alma.Mas, no libertar dessa alma,também vive a eterna procura das coisas boas. E,foi numa das minhas eternas procuras,que te encontrei e comecei a sentir por ti o mais puro amor.
                 Talvez tenha sido a sensação infantil do encontro de duas pessoas;porem,senti que realmente algo muito maior e mais profundo,havia se apoderado não apenas do corpo,como também da alma que te sentiu e viu passar ante os olhos. Talvez a própria alma tenha te visto muito antes que meus olhos,E, em tí,comecei a beber o saboroso vinho que me trouxeste.
                   Porém, o tempo foi correndo,passando tão depressa que,confesso, nunca imaginei-o assim. E na correria do tempo, aquela taça em que eu bebia,começou a ficar enferrujada, tirando um pouco o sabor do vinho. Eu,entretanto, como sempre fui apreciador dos bons vinhos e com eles aprendi a conhecer os grandes amores,continuei tomando,na mesma taça,aquele vinho.
                    Talvez tenha sido apenas uma ilusão passageira;talvez tenha sido apenas um clamor interno do meu eu;mas, na verdade, eis-me aqui novamente bebendo na mesma taça,desta vez mais nova,tão nova como teus olhos que brilham nesta noite quente como tua alma. Eis-me aqui, bebendo de teu vinho,sentindo,no seu anseio, a taça mais nova, sem nunca parecer aquela que, um dia antes, havia se apresentado quase perdida,pois não havia sido mais tocada pelos lábios meus.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA DO SILENCIO

                 Vamos fazer a independência do silencio. Vamos nós dois,juntos, quebrar este casamento do silencio que há entre duas pessoas que se cruzam todos os dias e nada falam,talvez\ por motivos que a alma não consente,talvez por uma simples timidez infantil.
                  Vamos nós dois, quebrar essas algemas que nos prende ao silencio que nem mesmo os sorrisos costumeiros conseguem desvendar.Por que?
                    O por que,eu mesmo repondo.Porque nós somos um único encontro. Nós somos duas estrelas que brilham juntas no mesmo espaço cósmico e assim iremos viver por toda a eternidade.Falando de amor,sorrindo com amor, acenando com amor entre os dedos que balançam sobre o vento e acareciam as nuvens sorridentes dentro deste dia tão quente,com esta brisa que vem do mar.
                      Nós,que, sem mais nem menos,somos apenas dois seres que vivem na solidão tamanha de todos os outros mas não devemos também´ser um outro,pois que a imagem do amanhã se encontra em nós mesmos.
                       Quando nosso silencio for independente, então poderemos falar.E nas nossas palavras,virão também os risos e os acenos.Os encontros e as loucuras de dois amantes que se perdem nestas linhas e se encontram nas palavras que escrevo nesta tarde,para este dia tão cheio de sol,e que abre o verão nordestino.
                         Sim,como os coqueiros que se balançam na praia,nós também devemos nos balançar ao sabor do vento,sussurrando palavras amorosas ,um para o outro,quebrando o silencio que nos envolve,alertando com sua independência, o ruído de dois lábios que sencontram e naõ se separam,nunca mais.                                                  

sábado, 17 de setembro de 2011

se voltares...

                Enroscarei em teu corpo uma malha de carícias e com perfume de sândalo purificarei o teu halito,
                 Deterei as horas em que junto a ti me encontre e te falarão minhas vozes cheias de silencio...
                 acederei mil auroras de beijos em tua boca ,terás o calor das rosas, e com tua fragrância virás a mim incorpórea quase imaterializada como um sonho!
                 Ternuras nunca criadas para esta sede de oásis, inventarão tuas mãos mais suáveis que a briza, coroas de margarias para teu corpo branco, unguento de paisagens novas para teus olhos, campânulas azuis para a tua fronte e sandálias de nuvens para teus pés rosados e laços de crepúsculos para os teus cabelos. Se incendiarão os bosques com as luzes da aurora, será a tarde um altar para adorar o amor...
                  E, quando em ti florescerem minhas ânsias de retorno, e em teus braços olvidarem meus tormentos, deterei as horas em que junto a te me encontre, e te falarão minhas vozes cheias de silêncio.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

EPISODIOS ETERNOS

              As distancias que nos separavam se encurtaram como se os nossos caminhos buscassem os mesmos objetivos.As separações só se verificam quando rareiam as eleições afetivas.So acredito mesmo no amor quando os nossos endereços são identificados pela amada distante.
               O trivial é a coisa mais seria que conheço,porque reduz a pequenas dimensões dos problemas infinito da vida.
                Abandonei os bares que tanto eu amava para quer não existisse nada neste mundo que pudesse competir com Voce.
                 Dizia os gregos que o amor e o vinho se irmanam,abandonei o bar para verificar se eles falavam a verdade.Se eles não mentiram porque me ausentar os bares? O bar se constitui uma grande sedução,porque naquela casa não existe complicações domésticas. O bar é universal como o amor,tem os mesmos históricos e os mesmos fascinios.Se no bar existe musica,tanto melhor.É o ritimo dos desencontros.
                Depois de um grande hiato,houve o reencontro.Estou certo que o episodio de minha volta,não terminará mais.O romance, o grande romance,é assim,começa num instante.
                 O amor na verdade,oferece esses paradoxos - eterniza momentos.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A mulher bela...

       A mulher bela,geralmente se coloca perto de uma grade,para mostrar aos mais incrédulos que os seus encantos resiste a prisão.Encarcerar uma mulher bela,em termos de privatividade, é ofender toda uma comunidade.
        O belo não é de ninguém, é um adorno do povo.Somente os prisioneiros do convencionalismo estreito,não considera a mulher bonita uma expressão ornamental. Quem quiser ter para si somente o belo,que cerque para o seu dominio exclusivo um pedaço de mar, um raio de estrela,uma pétala de rosa,mas nunca cometa a ingenuidade e estutice de ter para sí só,uma mulher deslumbrante, patrimônio da criatura humana,escultura genial de Deus.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

DESEJO

   Senti desejo de subir hoje a montanha, descortinar todo o horizonte e de tocar o infinito com os dedos...
   Senti desejo de abraçar-me a fogueira do sol,para renascer a manhã com a luz primeira da aurora!
   Senti desejo de escrever teu nome em uma nuvem,para fecundar a terra de amor,quando caia sobre os campos verdes a canção de tuas letras em forma de chuva.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Desculpa

Começaram a chegar as cartas e telefonemas, em quase todas a pergunta: "Porque passou tanto tempo sem escrever?". Não sei leitor. A pergunta válida é outra: "Porque escrever há tempo?" Ou: "quando será preciso escrever?" Vocês não sabem como é difícil escrever após uma longa ausência. Tudo tem que ser feito com muito esmêro numa corrida louca. Amigos que telefonam. Outros que chegam. Portanto, leitor, desculpe o JB sempre que ele não estiver inteligente. Como é o caso desta terça-feira.

sábado, 27 de agosto de 2011

Não me perdi na volta...

Volto ao convívio de vocês pela janela virtual da vida. A saudade foi imensa, muito tempo se passou, mesmo assim, comigo, nunca deixei de me lembrar de vocês. Foi um tempo enorme. Uma passagem que somente me trazia lembranças, e lembranças maduras que sempre corroíam a minha própria alma. Aqui hoje, nesta janela indiscreta coloco o meu coração como um réu confesso e dizer de dentro de mim mesmo que o ontem não passou depressa. Realmente, o ontem não passou, porque deixou em mim aquela lembrança que perpetuou-se numa saudade. Se Deus permitir retornarei para que jamais, em tempo algum, eu me liberte do amor que sempre nutro por vocês.