Doce ferida que me esmaga...
Abraço a sala obscura do tempo e esvaio-me em solidão.
Risos de outrora,onde estão?
Musa,mulher,caminho encontrado na ânsia de viajar pelas noites vazias.Noites malditas que foram para mim.
Atrás de minhas costas,ruge a noite. Diante de mim, canta o dia.Entre os dois, nós.Sim, nós que nos amamos e sempre soubemos amar. Nós que escrevíamos versos apaixonados e hoje nos encontramos escrevendo crônicas em forma de poema para que o deleite das palavras seja o mais belo perfume da vida.
Doce ferida me esmaga,como se fosse um Pierrô em busca de sua Colombina.Não, nunca fui Arlequim. Sempre fui Pierrô.E, ela,Colombina dos meus dias de carnaval. Carnaval que compõe esta vida toda feita em amor. E,numa tristeza sem fim,abraço o papel e escrevo os versos mais perfeitos para ela, Trago meu cigarro e ela me envolve em seus braços. Amo-a.Verdes olhos vadios de minha musa ideal...Oh,como seriam feitos os dias de ilusão que nunca tivemos?
Canto,poesia, canto mais forte ainda, para que todos ouçam e saibam que no seio da terra,um homem vive a amar. Canto para que todos conheçam a perfeita lembrança da vida e continuem andando porta em porta,na inveja de ser. Minha voz adormece em seus braços. Suas mãos me envolvem e eu caminho pelos corredores da vida.Pierrô apaixonado.Colombina que me ama.
Aos poucos, no meio deste carnaval da vida,retiramos nossas máscaras.E, ela me encontra como sou. E eu a encontro como ela é,sempre feliz,pronta a me dizer as coisas mais simples e verdadeiras de uma vida. Amamos um ao outro.Nós nos amamos.
Doce ferida que me esmaga,arranco-a agora.Colombina chegou.Lágrimas de outrora,onde estão? Ouço apenas os risos que me acompanham e dizem-me baixinho: Colombina chegou coberta de amor!
Doce afago da mamória...como a amo.Como nos amamos...tudo em um nunca mais.
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