quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ELA E O VINHO

               Mesmo que bebamos no pior cálice, ainda continuamos a gostar da bebida;e assim,por analogia, vamos encontrando também os prazeres e desgostos da vida que o dia a dia nos traz,arremessando algumas vezes,uma certa orgia contra a nossa alma.Mas, no libertar dessa alma,também vive a eterna procura das coisas boas. E,foi numa das minhas eternas procuras,que te encontrei e comecei a sentir por ti o mais puro amor.
                 Talvez tenha sido a sensação infantil do encontro de duas pessoas;porem,senti que realmente algo muito maior e mais profundo,havia se apoderado não apenas do corpo,como também da alma que te sentiu e viu passar ante os olhos. Talvez a própria alma tenha te visto muito antes que meus olhos,E, em tí,comecei a beber o saboroso vinho que me trouxeste.
                   Porém, o tempo foi correndo,passando tão depressa que,confesso, nunca imaginei-o assim. E na correria do tempo, aquela taça em que eu bebia,começou a ficar enferrujada, tirando um pouco o sabor do vinho. Eu,entretanto, como sempre fui apreciador dos bons vinhos e com eles aprendi a conhecer os grandes amores,continuei tomando,na mesma taça,aquele vinho.
                    Talvez tenha sido apenas uma ilusão passageira;talvez tenha sido apenas um clamor interno do meu eu;mas, na verdade, eis-me aqui novamente bebendo na mesma taça,desta vez mais nova,tão nova como teus olhos que brilham nesta noite quente como tua alma. Eis-me aqui, bebendo de teu vinho,sentindo,no seu anseio, a taça mais nova, sem nunca parecer aquela que, um dia antes, havia se apresentado quase perdida,pois não havia sido mais tocada pelos lábios meus.
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